O câncer de mama está entre as neoplasias mais comuns em fêmeas caninas e felinas, especialmente em animais não castrados ou castrados tardiamente (WITHROW; VAIL; SORENMO). Apesar da alta incidência, trata-se de uma condição que pode ser amplamente prevenida com medidas adequadas ao longo da vida do animal.
A informação correta, associada ao acompanhamento veterinário, permite reduzir significativamente os riscos e aumentar as chances de diagnóstico precoce, impactando diretamente no prognóstico.

A importância da castração precoce na prevenção
A castração precoce é o principal fator de proteção contra o desenvolvimento de tumores mamários em fêmeas (SORENMO; WITHROW; VAIL).
Quando realizada antes do primeiro cio, pode reduzir o risco em até aproximadamente 90% (SORENMO). Após o primeiro e segundo cio, essa proteção diminui progressivamente, e a exposição contínua aos hormônios sexuais aumenta a probabilidade de alterações neoplásicas no tecido mamário (WITHROW; VAIL).
Isso ocorre porque o estímulo hormonal, especialmente por estrogênio e progesterona, está diretamente relacionado ao desenvolvimento de tumores mamários (DALECK; DE NARDI).
A definição do momento adequado para a castração deve sempre ser feita com um médico-veterinário, considerando fatores individuais do animal.
Identificação precoce: o papel da observação no dia a dia
A detecção precoce é um dos principais fatores que influenciam positivamente o tratamento (WITHROW; VAIL).
Durante momentos rotineiros, como carinho, banho ou escovação, o responsável deve observar a região das mamas, verificando a presença de:
Carocinhos ou nódulos
Endurecimento localizado
Aumento de volume
Secreções ou alterações cutâneas
Mesmo alterações pequenas devem ser avaliadas por um médico-veterinário, pois tumores iniciais apresentam melhor resposta terapêutica (SORENMO).
Consultas preventivas e acompanhamento veterinário
O acompanhamento regular com um médico-veterinário permite a identificação precoce de alterações clínicas muitas vezes imperceptíveis no dia a dia (WSAVA).
Consultas de rotina, associadas a orientações profissionais — inclusive por teleorientação, quando aplicável — contribuem para:
Avaliação periódica da saúde geral
Monitoramento de alterações mamárias
Definição de estratégias preventivas individualizadas
A prevenção deve ser contínua, não apenas reativa ao aparecimento de sintomas.
Câncer de mama em machos: ocorrência rara, mas possível
Embora seja significativamente mais raro, o câncer de mama também pode ocorrer em machos (WITHROW; VAIL).
Nesses casos, geralmente está associado a alterações hormonais ou condições específicas, mas reforça a necessidade de atenção à saúde mamária em todos os animais, independentemente do sexo.
Conclusão
A prevenção do câncer de mama em pets está diretamente relacionada a três pilares principais: castração em momento adequado, observação contínua e acompanhamento veterinário regular.
A atuação preventiva permite não apenas reduzir a incidência da doença, mas também possibilita diagnósticos mais precoces, aumentando as chances de tratamento eficaz e qualidade de vida.
O cuidado responsável envolve informação, atenção aos sinais clínicos e decisões orientadas por profissionais qualificados.
Referências
DALECK, C.R.; DE NARDI, A.B. Oncologia em cães e gatos.
FOSSUM, T.W. Small Animal Surgery.
SORENMO, K.U. Mammary tumors in dogs and cats.
WITHROW, S.J.; VAIL, D.M. Withrow & MacEwen's Small Animal Clinical Oncology.
WSAVA – World Small Animal Veterinary Association. Guidelines for companion animal practice.
Renan Sparremberger
Fundador da Heroz | Especialista em comportamento e bem-estar canino
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