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Oferecer um petisco pode fazer parte da rotina de cães e gatos, seja como recompensa, enriquecimento ou simplesmente como um momento positivo de interação. Mas, além da quantidade oferecida, existe outro ponto que merece atenção: a segurança do petisco escolhido.

Formato, textura, composição, procedência e até a condição de saúde do animal podem determinar se determinado produto é apropriado. Um petisco inadequado pode representar risco de engasgo, trauma dentário, obstrução gastrointestinal, exposição a agentes infecciosos ou intoxicação.

Por isso, a escolha não deve considerar apenas se o animal gosta do produto, mas também se ele é adequado para aquele indivíduo.

 

Texto alt: Cão Golden Retriever e gato ao lado de petiscos próprios para animais, com alimentos inadequados como chocolate, uvas, cebola, alho e osso sinalizados como proibidos.

 

O que observar ao escolher um petisco?

O tamanho e a textura precisam ser compatíveis com o porte e a forma como o animal mastiga. A World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) recomenda que os petiscos tenham tamanho e formato apropriados para reduzir o risco de engasgo e que cães e gatos sejam supervisionados durante o consumo de petiscos, mastigáveis e brinquedos alimentares. WSAVA

Também é importante observar a procedência do produto, as orientações do fabricante, sua conservação e sua finalidade. Quando houver dúvida sobre a adequação de determinado petisco, especialmente em animais com alguma condição de saúde, a orientação veterinária deve prevalecer.

 

Ossos e petiscos muito duros são seguros?

Nem sempre.

Embora ossos sejam frequentemente associados à alimentação de cães, a WSAVA alerta que tanto ossos cozidos quanto crus podem causar danos quando mastigados ou ingeridos. Entre os riscos estão trauma e obstrução do trato gastrointestinal. Em cães, mastigáveis excessivamente duros, como alguns chifres e cascos, também podem aumentar o risco de lesões e fraturas dentárias. WSAVA

Nos gatos, ossos também podem representar risco de trauma e obstrução. WSAVA

Portanto, o fato de um produto ser considerado “natural” não significa automaticamente que seja seguro.

 

E os petiscos crus?

Produtos de origem animal oferecidos crus ou sem processamento adequado podem carregar microrganismos capazes de causar doença tanto nos animais quanto nas pessoas que entram em contato com esses alimentos.

A WSAVA cita o risco de transmissão de patógenos associado a petiscos crus ou não processados de origem animal e recomenda atenção a esse tipo de produto. WSAVA

Famílias com crianças pequenas, idosos, gestantes ou pessoas imunossuprimidas precisam ter atenção adicional à manipulação desses alimentos e à higiene das mãos e superfícies.

 

Animais com doenças podem comer qualquer petisco?

Não.

Cães e gatos com obesidade, diabetes, doença renal, pancreatite, alergias ou sensibilidades alimentares e outras condições clínicas podem precisar de restrições específicas. O mesmo vale para animais que utilizam dietas veterinárias terapêuticas.

As diretrizes nutricionais da AAHA destacam que idade, condição corporal, histórico de doenças, medicamentos, suplementos e dieta atual devem fazer parte da avaliação nutricional individual. AAHA

Nesses casos, mesmo um petisco aparentemente simples pode interferir no objetivo nutricional estabelecido para o paciente.

 

Quais alimentos não devem ser usados como petisco?

Alguns alimentos consumidos normalmente por pessoas podem ser tóxicos ou perigosos para animais. O risco e a gravidade podem variar conforme a espécie, quantidade ingerida e características individuais.

Entre os alimentos que exigem atenção estão:

  • chocolate, café, chá e outras fontes de cafeína; uva e uva-passa; cebola, alho, alho-poró e cebolinha; bebidas alcoólicas e massas cruas com fermento; macadâmia, especialmente para cães; e produtos contendo xilitol, que é particularmente perigoso para cães e pode provocar hipoglicemia grave. WSAVA

O xilitol pode estar presente não apenas em chicletes e balas sem açúcar, mas também em alguns produtos de panificação, cremes de amendoim ou castanhas, medicamentos, suplementos e produtos de higiene bucal. Por isso, é importante conferir a composição antes de oferecer qualquer alimento destinado ao consumo humano. U.S. Food and Drug Administration

 

O que fazer se o pet ingerir algo inadequado?

Se houver suspeita de ingestão de alimento tóxico, corpo estranho, osso ou outro produto potencialmente perigoso, o responsável não deve aguardar necessariamente o aparecimento de sintomas para procurar orientação.

Vômitos, diarreia, salivação excessiva, fraqueza, tremores, dificuldade para caminhar, dor abdominal, engasgos, dificuldade para engolir, alteração de consciência ou convulsões são alguns sinais que podem exigir atendimento rápido.

No caso de possível ingestão de xilitol por um cão, por exemplo, a FDA recomenda procurar imediatamente o médico-veterinário ou um serviço veterinário de emergência. U.S. Food and Drug Administration

 

Petisco seguro é petisco adequado para aquele animal

Não existe um único petisco apropriado para todos os cães e gatos.

Porte, idade, condição corporal, saúde dentária, doenças existentes, dieta habitual e comportamento alimentar precisam ser considerados. A segurança também envolve observar como o animal mastiga, oferecer produtos em tamanho compatível e acompanhar o consumo.

A quantidade de petiscos dentro da alimentação diária também é importante e já foi abordada em nosso conteúdo sobre consumo e calorias. Aqui, o ponto principal é outro: um agrado só cumpre seu papel quando não coloca a saúde do animal em risco.

Na dúvida sobre qual opção oferecer, converse com o médico-veterinário que acompanha seu pet.

 

Referências

AMERICAN ANIMAL HOSPITAL ASSOCIATION — AAHA. Cline, M. G. et al. 2021 AAHA Nutrition and Weight Management Guidelines for Dogs and Cats. Journal of the American Animal Hospital Association, 57(4):153–178, 2021. DOI: 10.5326/JAAHA-MS-7232. AAHA — Nutrition and Weight Management Guidelines

CORTINOVIS, C.; CALONI, F. Household Food Items Toxic to Dogs and Cats. Frontiers in Veterinary Science, v. 3, art. 26, 2016. DOI: 10.3389/fvets.2016.00026.

U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION — FDA. Paws Off Xylitol; It's Dangerous for Dogs. FDA — Xylitol and dogs

WORLD SMALL ANIMAL VETERINARY ASSOCIATION — WSAVA. Feeding treats to your cat. Nutrition Committee, 2024. WSAVA — Feeding treats to your cat

WORLD SMALL ANIMAL VETERINARY ASSOCIATION — WSAVA. Feeding treats to your dog. Nutrition Committee, 2024. WSAVA — Feeding treats to your dog

WORLD SMALL ANIMAL VETERINARY ASSOCIATION — WSAVA. Guidelines on Selecting Pet Foods. Global Nutrition Committee, 2021. WSAVA — Guidelines on Selecting Pet Foods

 

Dra. Vitória Elis
Médica Veterinária – CRMV-RS 23116

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