Com a chegada das temperaturas mais baixas, cobertores, camas quentinhas e roupas costumam ganhar espaço na rotina dos animais. Mas os cuidados com cães e gatos no inverno vão além do conforto: a exposição prolongada ao frio pode representar riscos à saúde, especialmente para filhotes, animais idosos, de pequeno porte, com pelagem curta ou com condições que dificultem a mobilidade e a regulação da temperatura corporal.
Embora cães e gatos tenham mecanismos próprios para conservar calor, eles também podem sofrer com temperaturas muito baixas. Quando a perda de calor supera a capacidade do organismo de manter a temperatura corporal adequada, pode ocorrer hipotermia, uma condição potencialmente grave e que exige atenção rápida (AAHA, 2024; Merck Veterinary Manual, 2025).
Por isso, entender como o frio pode afetar os pets e reconhecer os sinais de alerta ajuda os responsáveis a atravessarem o inverno com mais segurança.

O frio faz mal para cães e gatos?
Depende da intensidade do frio, do tempo de exposição e das características individuais do animal. Alguns cães toleram temperaturas baixas melhor do que outros, mas nenhum animal deve permanecer exposto por períodos prolongados a condições de frio intenso, vento ou umidade.
Animais pequenos, jovens, idosos e aqueles com pelagem curta apresentam maior vulnerabilidade à perda de calor. Pacientes idosos também podem ter alterações de mobilidade, como osteoartrite, que tornam os dias frios mais desafiadores (AAHA, 2024; AAHA, 2025).
A umidade também merece atenção. Um animal molhado perde calor mais facilmente, portanto é importante secá-lo adequadamente depois de banhos, chuva ou outras situações em que a pelagem fique úmida.
Quais problemas podem estar relacionados ao frio?
Hipotermia em cães e gatos
A hipotermia ocorre quando a temperatura corporal cai de maneira significativa e o organismo deixa de conseguir manter adequadamente suas funções fisiológicas.
Nos estágios iniciais podem ocorrer tremores, fraqueza e pele fria ou pálida. Em situações mais avançadas, podem surgir letargia intensa, desorientação, respiração superficial, redução da frequência cardíaca, colapso e perda de consciência (AAHA, 2024; Merck Veterinary Manual, 2025). Importante: a ausência de tremores não descarta hipotermia, principalmente em quadros mais graves.
A hipotermia pode comprometer diferentes funções do organismo e, em pacientes veterinários, está associada a alterações cardiovasculares, de coagulação e do metabolismo, entre outras complicações (Singler, 2025; Merck Veterinary Manual, 2026).
Se houver suspeita, o animal deve ser levado para um ambiente protegido e aquecido gradualmente enquanto se busca orientação veterinária. Fontes de calor excessivamente quentes devem ser evitadas devido ao risco de queimaduras.
O frio causa doenças respiratórias?
O frio, por si só, não causa uma infecção respiratória. Essas doenças são provocadas por vírus, bactérias e outros agentes infecciosos.
Entretanto, situações em que vários animais permanecem próximos uns dos outros podem favorecer a transmissão de determinados agentes respiratórios. Alterações ambientais envolvendo ventilação, temperatura, umidade e estresse também podem influenciar a suscetibilidade e a gravidade de algumas doenças respiratórias em cães (Merck Veterinary Manual, 2024).
Por isso, durante o inverno é importante manter os ambientes protegidos do frio, mas sem eliminar completamente a ventilação, especialmente em locais onde convivem vários animais.
Tosse persistente, secreção nasal ou ocular, espirros frequentes, perda de apetite, apatia e dificuldade para respirar merecem avaliação veterinária.
Dor articular e dificuldade de mobilidade
Animais idosos e pacientes com doenças articulares também podem apresentar mais dificuldade durante períodos frios. A osteoartrite, por exemplo, está associada a dor, rigidez e redução da mobilidade, e o clima frio pode tornar esses sinais mais perceptíveis em alguns pacientes (AAHA, 2025).
O responsável pode perceber dificuldade para levantar, menor disposição para passear, hesitação para subir escadas ou pular, alterações na postura e menor interesse por atividades habituais.
Nesses casos, o acompanhamento veterinário permite estabelecer estratégias individualizadas para controle da dor, atividade física, peso corporal e mobilidade.
Menor atividade física e ganho de peso
Dias frios e chuvosos podem reduzir naturalmente a frequência ou duração dos passeios. Quando a diminuição da atividade não é acompanhada de ajustes adequados na rotina e na alimentação, pode ocorrer ganho de peso.
O controle da condição corporal é importante porque o excesso de peso pode prejudicar a saúde e agravar condições já existentes. Alimentação, quantidade oferecida e nível de atividade devem ser adaptados às características de cada animal, preferencialmente com orientação veterinária (WSAVA & HealthforAnimals, 2025).
Pele e patas também merecem atenção
Ambientes frios e com baixa umidade podem contribuir para ressecamento da pele em alguns animais. Banhos excessivos também podem remover parte da proteção natural da pele e da pelagem.
As patas devem ser observadas especialmente após passeios. Ressecamento, rachaduras, vermelhidão, dor ou lambedura excessiva merecem atenção. Em regiões com neve, gelo ou produtos utilizados para derreter gelo, o cuidado deve ser ainda maior porque essas substâncias podem irritar as almofadas plantares (AAHA, 2024).
Como proteger cães e gatos no inverno?
Ofereça um local protegido para descansar
Disponibilize uma cama confortável, seca, protegida de correntes de ar e isolada de superfícies muito frias. Animais idosos ou com dificuldade de mobilidade podem se beneficiar particularmente de locais de descanso confortáveis e de fácil acesso (AAHA, 2025).
Use roupas somente quando fizer sentido
Roupas podem proporcionar proteção adicional para alguns animais, principalmente cães pequenos, idosos ou de pelagem curta. Elas devem ter tamanho adequado, permitir movimentação normal e permanecer limpas e secas.
Nem todo pet precisa usar roupa. O comportamento do animal deve ser observado, e peças que provoquem desconforto, limitem movimentos ou causem superaquecimento devem ser retiradas.
Evite que o animal permaneça molhado
Após o banho ou contato com chuva, seque bem a pelagem antes que o animal permaneça em ambientes frios. A exposição simultânea ao frio, vento e umidade aumenta a perda de calor.
Também é importante utilizar produtos de higiene próprios para cães ou gatos e seguir uma frequência de banho compatível com as necessidades individuais.
Adapte os passeios às condições climáticas
Em dias particularmente frios, prefira os períodos mais amenos e ajuste a duração dos passeios de acordo com a tolerância do animal.
Tremores, levantar repetidamente as patas, redução de energia, recusa em caminhar ou tentativa de retornar para casa podem indicar desconforto com a temperatura. Nesses casos, a exposição deve ser interrompida (AAHA, 2025).
Mantenha água disponível
A necessidade de hidratação não desaparece no inverno. Água limpa e fresca deve permanecer disponível durante todo o dia.
Mudanças importantes no consumo de água também merecem atenção, pois podem estar associadas a diferentes alterações de saúde.
Não aumente a alimentação automaticamente
Não é necessário oferecer mais alimento simplesmente porque chegou o inverno. A necessidade energética depende de fatores como peso, idade, condição corporal, nível de atividade, ambiente em que o animal vive e estado de saúde.
Para cães e gatos que vivem predominantemente dentro de casa, uma redução da atividade pode inclusive favorecer ganho de peso se houver aumento indiscriminado da quantidade de alimento.
Mantenha os cuidados preventivos
Vacinação, controle de parasitas, alimentação adequada e acompanhamento veterinário continuam importantes durante o inverno. O protocolo de vacinação deve considerar fatores como idade, estilo de vida, localização geográfica e risco individual do animal (Squires et al., 2024).
A abordagem preventiva também envolve observar mudanças no comportamento, apetite, mobilidade, pele, pelagem e condição corporal e realizar acompanhamento veterinário de acordo com as necessidades de cada paciente (WSAVA & HealthforAnimals, 2025).
Quais pets precisam de mais cuidado no frio?
Alguns animais merecem atenção adicional durante períodos de baixas temperaturas, principalmente filhotes, cães e gatos idosos, animais de pequeno porte, indivíduos com pelagem curta e pacientes debilitados ou com limitações de mobilidade.
Não existe uma única temperatura considerada segura ou perigosa para todos os pets. Porte, pelagem, idade, estado de saúde, adaptação ao clima, vento, umidade e tempo de exposição interferem diretamente na tolerância ao frio.
Por isso, mais importante do que seguir um número fixo no termômetro é observar o comportamento e as condições individuais do animal.
Quando procurar um médico-veterinário?
Procure atendimento veterinário diante de dificuldade para respirar, fraqueza importante, desorientação, colapso, sonolência intensa, incapacidade de permanecer em pé ou caminhar, exposição prolongada ao frio ou suspeita de hipotermia.
Tosse persistente, secreções respiratórias, perda de apetite, dor ao se movimentar e mudanças importantes de comportamento também justificam avaliação profissional.
Nos quadros relacionados ao frio, reconhecer rapidamente os sinais de alteração pode fazer diferença, principalmente em animais mais vulneráveis.
Cuidados simples ajudam seu pet a atravessar o inverno com segurança
O inverno não precisa representar um problema para cães e gatos. Um ambiente seco e protegido, passeios adaptados ao clima, alimentação equilibrada, hidratação, acompanhamento da condição corporal e atenção às mudanças de comportamento ajudam a tornar os dias frios mais seguros.
Cada animal reage de maneira diferente às baixas temperaturas. Conhecer a rotina do pet e perceber quando algo muda continua sendo uma das ferramentas mais importantes para os responsáveis.
Com informação, prevenção e acompanhamento veterinário, é possível proporcionar mais conforto, saúde e bem-estar durante todo o inverno.
Referências
AMERICAN ANIMAL HOSPITAL ASSOCIATION (AAHA). Cold Weather Pet Safety Tips for Dogs and Cats. Publicado em 17 dez. 2024.
AMERICAN ANIMAL HOSPITAL ASSOCIATION (AAHA). Grey Muzzles Make Cozy Companions: Tips to Care for Your Senior Pet in the Winter. Publicado em 8 jan. 2025.
MERCK VETERINARY MANUAL. Keeping Pets Safe During Cold Winter Months. Publicado em 15 jan. 2025.
SINGLER, E. Heating and Cooling Techniques for Veterinary Patients: Current Recommendations. AAHA Trends Magazine, 6 out. 2025.
SQUIRES, R. A.; CRAWFORD, C.; MARCONDES, M.; WHITLEY, N. 2024 Guidelines for the Vaccination of Dogs and Cats – Compiled by the Vaccination Guidelines Group (VGG) of the World Small Animal Veterinary Association (WSAVA). Journal of Small Animal Practice, v. 65, n. 5, p. 277–316, 2024. DOI: 10.1111/jsap.13718.
WORLD SMALL ANIMAL VETERINARY ASSOCIATION (WSAVA); HEALTHFORANIMALS. Principles of Wellness. 2025.
Dra. Vitória Elis
Médica Veterinária – CRMV-RS 23116
RECEBA AS NOVIDADES DA HEROZ
Fique por dentro das nossas dicas, conteúdos e novidades sobre saúde e bem-estar canino. Digite seu e-mail e entre para a nossa matilha de cuidadores apaixonados!