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Esporotricose felina: avanço da doença preocupa veterinários e autoridades de saúde pública

A esporotricose felina se tornou uma das principais zoonoses em expansão no Brasil. A doença, causada por fungos do gênero Sporothrix, especialmente Sporothrix brasiliensis, preocupa médicos-veterinários e autoridades sanitárias devido ao crescimento expressivo no número de casos em gatos e seres humanos nos últimos anos.

Tradicionalmente considerada uma micose subcutânea de ocorrência esporádica, a esporotricose passou a apresentar comportamento epidêmico em diversas regiões urbanas brasileiras. O aumento populacional de gatos sem acesso a manejo sanitário adequado, aliado à dificuldade de diagnóstico precoce e ao abandono de animais infectados, contribuiu significativamente para a disseminação da doença (Brasil, 2025; Lopes, Pinto e Bombonatte, 2025).

Gato com lesões características de esporotricose na face e na pata durante ilustração sobre a doença e sua transmissão.

O avanço da esporotricose felina no Brasil

A transmissão ocorre principalmente por meio de arranhões, mordidas ou contato direto com secreções de gatos contaminados. Os felinos apresentam elevada carga fúngica nas lesões, tornando-se importantes transmissores da doença tanto para outros animais quanto para seres humanos (Cruz e Alves, 2025).

Entre os principais sinais clínicos observados estão:

  • Feridas ulceradas que não cicatrizam;
  • Secreções;
  • Espirros;
  • Aumento dos linfonodos;
  • Emagrecimento;
  • Lesões principalmente na face, patas e cauda.

Em alguns casos, a doença pode evoluir para formas mais disseminadas, principalmente quando o diagnóstico e o tratamento são iniciados tardiamente.

Esporotricose humana passa a ser de notificação compulsória

O cenário epidemiológico atual levou o Ministério da Saúde a incluir, em 2025, a esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória, reforçando a importância da vigilância epidemiológica e do controle da zoonose no país (Brasil, 2025).

Paralelamente, alguns estados brasileiros ampliaram programas públicos de distribuição gratuita de antifúngicos para tratamento de animais diagnosticados. Um exemplo é o estado do Paraná, que ampliou a distribuição de itraconazol para apoiar o controle da doença (Paraná, 2026).

Tratamento da esporotricose felina

O itraconazol permanece como o principal medicamento utilizado no tratamento da esporotricose felina. Entretanto, estudos recentes discutem o surgimento de resistência antifúngica, a necessidade de tratamentos prolongados e alternativas terapêuticas para casos refratários (Cruz e Alves, 2025).

Além disso, pesquisadores alertam para os impactos sociais da doença, especialmente em comunidades com menor acesso à assistência veterinária, informação sanitária e programas públicos de controle.

É importante destacar que o tratamento nunca deve ser interrompido sem orientação do médico-veterinário, mesmo quando ocorre melhora clínica das lesões, pois a interrupção precoce favorece recaídas e manutenção da transmissão.

Diagnóstico precoce reduz a transmissão

Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é importante para reduzir a transmissão da doença. Muitos responsáveis ainda confundem as lesões com ferimentos causados por brigas entre gatos ou pequenas lesões traumáticas, atrasando a procura por atendimento veterinário.

O manejo adequado inclui:

  • isolamento do animal infectado;
  • higienização correta do ambiente;
  • utilização de equipamentos de proteção individual, como luvas, durante o contato com lesões e secreções;
  • acompanhamento veterinário durante todo o tratamento.

Essas medidas reduzem significativamente o risco de transmissão para outros animais e para as pessoas que convivem com o gato.

Controle depende da saúde pública

Além do tratamento individual, o combate à esporotricose depende diretamente de ações coletivas de saúde pública. Campanhas de conscientização, castração, controle populacional de gatos errantes, educação sanitária e acesso ao diagnóstico continuam sendo ferramentas fundamentais para conter o avanço da doença no Brasil.

A participação dos responsáveis pelos animais também exerce papel importante. Ao identificar lesões suspeitas, o recomendado é procurar atendimento veterinário o mais rapidamente possível, evitando manipular as feridas sem proteção adequada e reduzindo o risco de disseminação da infecção.

Conclusão

A esporotricose felina representa atualmente um importante desafio para a medicina veterinária e para a saúde pública brasileira. O crescimento dos casos reforça a necessidade de diagnóstico precoce, tratamento adequado, educação sanitária e políticas públicas voltadas ao controle da doença. Com informação de qualidade e atuação conjunta entre responsáveis, médicos-veterinários e órgãos de saúde, é possível reduzir a transmissão e minimizar os impactos dessa importante zoonose.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Esporotricose humana passa a ser de notificação compulsória. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/esporotricose-humana-passa-a-ser-de-notificacao-compulsoria/. Acesso em: 22 maio 2026.

CRUZ, Guilherme Durante; ALVES, Stephany Rodrigues da Silva. Atualidades e terapêutica comparada entre tratamento de esporotricose canina e felina. Scientific Electronic Archives, v. 18, n. 3, 2025. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/391044296_Atualidades_e_terapeutica_comparada_entre_tratamento_de_esporotricose_canina_e_felina. Acesso em: 22 maio 2026.

LOPES, Ramon Dantas; PINTO, Giselle Ferreira Azevedo; BOMBONATTE, Andrea Gobetti Coelho. Esporotricose felina: o avanço de uma zoonose fúngica no município de São Vicente, São Paulo, Brasil. Revista do Instituto Adolfo Lutz, v. 84, 2025. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/RIAL/article/view/41495. Acesso em: 22 maio 2026.

PARANÁ. Secretaria da Saúde. Paraná distribui mais de 310 mil cápsulas do medicamento para tratamento da esporotricose felina. 2026. Disponível em: https://www.saude.pr.gov.br/Noticia/Parana-distribui-mais-de-310-mil-capsulas-do-medicamento-para-tratamento-da-esporotricose. Acesso em: 22 maio 2026.

 

Dra. Vitória Elis
Médica Veterinária – CRMV-RS 23116

 

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