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O câncer está entre as principais causas de adoecimento e morte em cães e gatos, especialmente nos animais idosos. As diretrizes de oncologia da American Animal Hospital Association indicam que a doença afeta aproximadamente 50% dos cães e 30% dos gatos com mais de 10 anos, embora a frequência varie conforme espécie, idade, população estudada e tipo de tumor (AAHA, 2026).

Apesar do impacto da doença, o diagnóstico de câncer não significa necessariamente ausência de possibilidades terapêuticas. Os avanços da oncologia veterinária têm ampliado os recursos disponíveis para diagnóstico, classificação dos tumores, definição do tratamento e acompanhamento dos pacientes. Tecnologias de imagem, testes moleculares, biomarcadores e métodos como a biópsia líquida estão em desenvolvimento ou já são utilizados em determinadas situações, mas sua indicação e interpretação devem ser feitas criteriosamente pelo médico-veterinário (Alshammari et al., 2025; Queiroga et al., 2026).

 

Médica-veterinária examinando um cão e um gato, representando o diagnóstico precoce do câncer em pets.

 

Quais são os principais sinais de câncer em cães e gatos?

Os sinais variam conforme o tipo, a localização e o estágio do tumor. Algumas alterações podem ser discretas e também ocorrer em outras doenças, por isso não permitem confirmar o diagnóstico isoladamente. Entretanto, devem motivar uma avaliação veterinária, principalmente quando persistem ou apresentam progressão (AAHA, 2026).

Fique atento a alterações como:

  • caroços, nódulos ou áreas inchadas que surgem ou aumentam de tamanho;
  • feridas que não cicatrizam;
  • perda de peso sem explicação;
  • diminuição do apetite ou dificuldade para comer;
  • mau hálito persistente, salivação excessiva ou sangramento na boca;
  • sangramentos ou secreções incomuns;
  • vômitos ou alterações persistentes nas fezes;
  • dificuldade para urinar ou defecar;
  • tosse persistente ou alterações respiratórias;
  • claudicação, dor ou dificuldade de locomoção sem causa evidente;
  • cansaço excessivo, fraqueza ou redução das atividades;
  • mudanças importantes de comportamento.

Nem todo nódulo é maligno, mas não é possível determinar sua natureza apenas pela aparência, pelo tamanho ou pela presença de dor. Uma massa pequena e aparentemente inofensiva também pode precisar de investigação.

 

Como o diagnóstico de câncer é realizado?

A investigação começa com a avaliação do histórico do animal e com o exame físico completo. Dependendo da alteração encontrada, o médico-veterinário pode indicar exames laboratoriais, citologia, biópsia para avaliação histopatológica e exames de imagem, como radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

A citologia e a histopatologia ajudam a identificar o tipo de tumor. Em determinados casos, também é necessário definir o grau e o estágio da doença. O estadiamento avalia a extensão do câncer, o comprometimento de estruturas próximas e a possível presença de metástases, contribuindo para a escolha do tratamento e para a avaliação do prognóstico (AAHA, 2026).

A investigação deve ser individualizada. Nem todos os pacientes precisam realizar os mesmos exames, e a sequência diagnóstica depende da localização da alteração, da suspeita clínica, do estado geral do animal e das possibilidades terapêuticas consideradas.

 

Como funciona o tratamento oncológico veterinário?

A oncologia veterinária vai muito além da quimioterapia. Dependendo do tipo de tumor, do estágio da doença, da condição clínica do paciente e da disponibilidade dos recursos, o tratamento pode envolver:

  • cirurgia;
  • quimioterapia;
  • radioterapia;
  • imunoterapia;
  • terapias-alvo;
  • eletroquimioterapia em situações específicas;
  • controle da dor;
  • suporte nutricional;
  • cuidados paliativos e de fim de vida.

Diferentes modalidades podem ser utilizadas isoladamente ou combinadas. A cirurgia, por exemplo, pode ser suficiente em alguns tumores localizados, enquanto outros casos exigem uma abordagem multimodal. A medicina personalizada e as terapias direcionadas a características específicas do tumor também vêm ganhando espaço, embora nem todas estejam disponíveis ou indicadas para todos os pacientes (AAHA, 2026; Queiroga et al., 2026).

Na oncologia veterinária, o objetivo não é apenas prolongar a vida. A preservação da qualidade de vida, o controle da dor, a manutenção do apetite e o conforto do animal devem fazer parte do planejamento terapêutico desde o diagnóstico. Muitos protocolos quimioterápicos veterinários são estruturados para controlar a doença com efeitos adversos geralmente manejáveis, sempre com acompanhamento profissional (AAHA, 2026).

 

Como contribuir para o diagnóstico precoce?

Realize avaliações veterinárias periódicas

A frequência deve ser definida conforme a idade, a espécie, o histórico clínico e os fatores de risco do animal. Pets idosos ou com doenças crônicas podem precisar de acompanhamento mais frequente. As avaliações periódicas permitem identificar alterações que ainda não foram percebidas pelo responsável.

Observe a pele e o corpo do animal

Durante os momentos de carinho, escovação ou banho, observe a presença de nódulos, feridas, alterações de cor, áreas doloridas ou aumentos de volume. Caso encontre uma massa, não aperte, perfure nem aplique medicamentos sem orientação.

Não espere a alteração desaparecer sozinha

Feridas persistentes, nódulos em crescimento, perda de peso e mudanças de comportamento devem ser avaliados. Quanto mais cedo a causa for investigada, maiores podem ser as possibilidades de tratamento, principalmente quando a doença ainda está localizada (AAHA, 2026).

Reduza a exposição solar excessiva

Animais de pele clara, pouco pigmentada ou com pouca cobertura de pelos apresentam maior risco de lesões causadas pela radiação ultravioleta em determinadas regiões do corpo. A exposição solar crônica está associada ao carcinoma de células escamosas cutâneo, especialmente nas orelhas, pálpebras, nariz e outras áreas pouco pigmentadas. A proteção deve ser orientada pelo médico-veterinário, pois alguns produtos de uso humano podem ser inadequados ou tóxicos para animais (Merck Veterinary Manual, 2026).

Mantenha os cuidados gerais de saúde em dia

Vacinação, controle de parasitas, alimentação adequada e acompanhamento clínico são importantes para a saúde geral do animal. Entretanto, essas medidas não impedem a maioria dos tipos de câncer e não substituem a investigação de nódulos, feridas ou outros sinais suspeitos.

 

O diagnóstico precoce faz diferença?

A identificação de um tumor em estágio inicial pode permitir tratamentos menos extensos, aumentar as possibilidades de controle local e reduzir o risco de progressão em determinados tipos de câncer. Ainda assim, o prognóstico varia conforme o tipo tumoral, o grau de malignidade, o estágio, a localização, as condições clínicas do paciente e sua resposta ao tratamento.

Muitos cães e gatos com câncer podem receber tratamento ou acompanhamento por períodos significativos, mantendo conforto e qualidade de vida. Por isso, a suspeita ou a confirmação da doença deve ser entendida como o início de uma avaliação detalhada, e não como o encerramento das possibilidades de cuidado (AAHA, 2026).

Observar o animal, realizar avaliações periódicas e procurar atendimento veterinário ao perceber uma alteração são atitudes importantes para favorecer o diagnóstico precoce. Nenhuma mudança deve ser ignorada apenas porque ainda não causa dor ou desconforto aparente.

 

Dra. Vitória Elis
Médica-veterinária – CRMV-RS 23116

 

Referências

AMERICAN ANIMAL HOSPITAL ASSOCIATION — AAHA. 2026 AAHA Oncology Guidelines for Dogs and Cats. 2026.

ALSHAMMARI, A. H.; OSHIRO, T.; UNGKULPASVICH, U.; YAMAGUCHI, J.; MORISHITA, M.; KHDAIR, S. A.; HATAKEYAMA, H.; HIROTSU, T.; DI LUCCIO, E. Advancing Veterinary Oncology: Next-Generation Diagnostics for Early Cancer Detection and Clinical Implementation. Animals, v. 15, n. 3, artigo 389, 2025. DOI: 10.3390/ani15030389.

MERCK VETERINARY MANUAL. Epidermal and Hair Follicle Tumors in Animals. Acesso em: 4 ago. 2026.

QUEIROGA, F.; HORTA, R. S.; GIULIANO, A.; DAGLI, M. L. Z. Editorial: Advancements and Challenges in Veterinary Oncology. Frontiers in Veterinary Science, v. 13, artigo 1787676, 2026. DOI: 10.3389/fvets.2026.1787676.

 

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