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Brinquedos fazem parte da rotina de muitos cães e gatos e podem oferecer oportunidades de brincadeira, exploração, atividade física e estimulação mental. Quando utilizados de forma adequada ao indivíduo, eles também podem integrar estratégias de enriquecimento ambiental e contribuir para o bem-estar animal (Heath & Wilson, 2014; AAHA, 2026).

Mas escolher um brinquedo não deveria depender apenas da aparência, do preço ou da popularidade. Tamanho, resistência, formato, materiais, comportamento do animal e forma de utilização precisam entrar nessa decisão.

E os próprios consumidores parecem estar prestando cada vez mais atenção nisso.

 

Um gato fofo descansando no chão cercado por brinquedos

 

Segurança já está entre os principais critérios de compra

Uma pesquisa realizada pela PETS International e Yummypets, divulgada pela GlobalPETS em novembro de 2025, mostrou que 56% dos responsáveis entrevistados já haviam manifestado algum tipo de preocupação com a segurança de brinquedos para seus animais.

Entre aqueles que deixaram de comprar algum produto por esse motivo, os receios mais citados foram:

  • ingestão de partes do brinquedo: 83%;
  • risco de engasgo: 76%;
  • partes cortantes ou perigosas: 58%;
  • materiais considerados de baixa qualidade: 51%;
  • possibilidade de lesões oculares: 27%;
  • possíveis reações alérgicas: 20%.

A pesquisa reuniu quase 2 mil responsáveis de Brasil, Canadá, França, México, Reino Unido e Estados Unidos, e cerca de 7 em cada 10 participantes apontaram a segurança como um dos aspectos mais importantes na escolha (Matos, 2025).

Os dados mais recentes reforçam essa tendência. Em outra pesquisa da PETS International e Yummypets, publicada em abril de 2026 e realizada com 2.708 responsáveis de sete países, 72% indicaram a segurança do animal como um dos principais fatores na compra de acessórios. No Brasil, o percentual chegou a 78%. Qualidade e durabilidade vieram logo depois, citadas por 71% dos participantes (Matos, 2026).

Ou seja: segurança não aparece apenas como uma preocupação pontual. Ela está se tornando um fator central na decisão de compra.

 

Quando um brinquedo pode representar um risco?

Um dos problemas mais importantes está relacionado à ingestão de objetos ou fragmentos.

Cães podem engolir pedaços de plástico, borracha, tecido, ossos, objetos mastigáveis e outros materiais. Dependendo do tamanho, formato e localização, esses corpos estranhos podem ficar presos no esôfago ou provocar obstrução gastrointestinal, uma condição potencialmente grave (MSD Veterinary Manual, 2024).

Nos gatos, existe atenção especial para objetos lineares, como fios, barbantes e materiais semelhantes. Quando ingeridos, eles podem causar obstruções e lesões no trato gastrointestinal (MSD Veterinary Manual, 2024).

Por isso, um brinquedo que parece adequado para um animal pode não ser seguro para outro.

Tamanho e comportamento fazem diferença

O tamanho do brinquedo deve ser compatível com o porte do animal e com a maneira como ele brinca.

Um cão que destrói objetos rapidamente, por exemplo, exige uma avaliação diferente daquela feita para um cão que apenas carrega ou interage delicadamente com seus brinquedos.

A ASPCA recomenda considerar espécie, tamanho e hábitos de mastigação, além de descartar brinquedos ou itens mastigáveis quando estiverem excessivamente desgastados ou começarem a liberar partes que possam ser engolidas.

Portanto, não existe um brinquedo universalmente seguro para todos os cães ou gatos.

A escolha precisa ser individualizada.

 

O que os responsáveis estão evitando?

A pesquisa de 2025 também revelou diferenças interessantes entre responsáveis por cães e gatos.

Entre os responsáveis por cães que evitavam determinados produtos por preocupação com segurança, 53% mencionaram itens de couro cru, 42% ossos com medula, 33% brinquedos de pelúcia e 14% brinquedos de corda.

Entre responsáveis por gatos, os produtos que despertaram maior preocupação foram brinquedos a laser, citados por 28%, seguidos de brinquedos com fios ou cordões (22%), penas (20%), pelúcias (15%) e varinhas ou brinquedos semelhantes a vara de pesca (9%) (Matos, 2025).

É importante interpretar esses dados corretamente: eles representam percepções e decisões dos consumidores, e não significam que todo produto pertencente a essas categorias seja necessariamente inseguro.

O risco depende do projeto do brinquedo, do tamanho das peças, da resistência, da conservação, do comportamento do animal e da forma de utilização.

 

Os materiais importam, mas não contam toda a história

A qualidade dos materiais também apareceu como uma preocupação para 51% dos participantes da pesquisa de 2025.

Entre as preferências declaradas pelos consumidores, apareceram com maior frequência brinquedos de corda, tecido, materiais naturais ou considerados ambientalmente mais sustentáveis e borracha. Produtos de madeira, plástico e silicone tiveram menor preferência naquele levantamento (Matos, 2025).

Mas aqui existe uma distinção importante:

preferência por determinado material não significa comprovação de que ele seja sempre mais seguro.

Uma corda pode soltar fibras. Um tecido pode rasgar e expor o enchimento. Uma peça de borracha pode se fragmentar. Um brinquedo rígido pode ser inadequado para determinado tipo de mastigação.

Por isso, mais importante do que simplesmente procurar palavras como “natural”, “ecológico” ou “resistente” é avaliar qualidade de fabricação, procedência, dimensões, acabamento e compatibilidade com o animal.

O que observar antes da compra?

Antes de oferecer um brinquedo, observe se ele possui peças pequenas ou facilmente destacáveis, costuras frágeis, pontas ou áreas cortantes, componentes que possam ser arrancados, tamanho inadequado para o animal ou sinais de acabamento precário.

Durante o uso, continue observando o estado do produto.

Brinquedos que inicialmente estavam íntegros podem se tornar inadequados depois de repetidas mordidas, puxões ou arranhões. A ASPCA orienta justamente a inspeção e substituição de produtos desgastados antes que fragmentos possam ser ingeridos.

Nenhum brinquedo deve ser considerado indestrutível.

 

Brinquedos para cães e gatos seguem as mesmas regras?

Nem sempre.

Cães e gatos possuem padrões de brincadeira e comportamentos diferentes, e até indivíduos da mesma espécie podem utilizar o mesmo objeto de maneiras completamente distintas.

Cães com mastigação intensa podem destruir rapidamente objetos que seriam adequados para outros animais. Já em gatos, fios, barbantes e outros objetos lineares merecem cuidado especial devido ao risco associado à ingestão de corpos estranhos lineares (MSD Veterinary Manual, 2024).

Por isso, a pergunta mais útil não é apenas:

“Esse brinquedo é seguro?”

Mas:

“Esse brinquedo é adequado para este animal, deste tamanho, com este comportamento e desta forma de brincar?”

 

E como funciona a regulamentação de brinquedos para pets no Brasil?

Esse é um ponto que merece atenção.

No Brasil, os brinquedos destinados especificamente a animais não estão sujeitos à mesma certificação compulsória do Inmetro exigida para brinquedos infantis.

Segundo o Inmetro, brinquedos para pets são isentos dessa certificação desde que apresentem advertências legíveis e indeléveis informando que são destinados a animais e que não podem ser utilizados como brinquedos por crianças (Inmetro, 2024).

Isso significa que o consumidor não deve simplesmente procurar o selo utilizado em brinquedos infantis como critério para avaliar um produto destinado exclusivamente a animais.

Ao mesmo tempo, essa diferença regulatória torna ainda mais importante observar procedência, informações fornecidas pelo fabricante, qualidade do produto e adequação ao animal.

Em outros mercados também não existe uma norma técnica mundial única e específica para todos os brinquedos destinados a pets. Há regras gerais de segurança de produtos e restrições químicas que podem alcançar determinados materiais ou componentes, mas o regime é diferente daquele aplicado especificamente aos brinquedos infantis.

 

Brinquedo seguro também precisa continuar seguro

A escolha não termina no momento da compra.

Observe regularmente o brinquedo e retire-o de uso quando houver:

rachaduras, partes soltas, costuras abertas, enchimento exposto, fragmentação, desgaste excessivo ou redução do tamanho a ponto de permitir que seja engolido.

Também é importante considerar se determinadas brincadeiras precisam de supervisão. Um produto utilizado de maneira segura na presença do responsável pode não ser apropriado para permanecer disponível quando o animal estiver sozinho.

 

O que fazer se o animal engolir parte de um brinquedo?

A ingestão de um objeto não deve ser automaticamente considerada inofensiva.

Corpos estranhos podem causar obstruções no sistema digestório. Entre os sinais que podem ocorrer estão vômitos, perda de apetite, dor abdominal, dificuldade para defecar, letargia e outras alterações, dependendo da localização e do grau da obstrução. Objetos no esôfago também podem provocar salivação, engasgos, dificuldade para engolir e regurgitação (MSD Veterinary Manual, 2024; VCA Animal Hospitals, 2024).

Se houver suspeita de ingestão de parte de um brinquedo ou sinais de engasgo, procure atendimento médico-veterinário.

 

Reflexão Heroz: brincar também é cuidar

Brincar pode estimular comportamentos naturais, oferecer oportunidades de interação e fazer parte de uma rotina de enriquecimento e bem-estar.

Mas segurança precisa acompanhar a diversão.

O brinquedo mais bonito, mais caro ou mais popular não é necessariamente a melhor escolha. O mais importante é encontrar uma opção compatível com espécie, porte, comportamento, forma de brincar e capacidade de destruição daquele animal.

Também é importante lembrar que aquilo que funciona hoje pode precisar ser substituído amanhã. Os animais mudam, os brinquedos se desgastam e o comportamento durante a brincadeira pode se transformar.

Na Heroz, acreditamos que informação também é uma forma de cuidado.

Observar antes de comprar, acompanhar durante o uso e saber quando retirar um brinquedo são atitudes simples que ajudam a tornar os momentos de diversão mais seguros.

Por amor aos nossos heróis, seguimos compartilhando informação para ajudar responsáveis a fazer escolhas cada vez mais conscientes.

 

Renan Sparremberger

 

Referências

AMERICAN ANIMAL HOSPITAL ASSOCIATION (AAHA). Enrichment: Supporting Your Pet’s Mental and Emotional Wellbeing at Home. 2026. Disponível em: AAHA — Enrichment: Supporting Your Pet’s Mental and Emotional Wellbeing at Home. Acesso em: 10 set. 2026.

AMERICAN SOCIETY FOR THE PREVENTION OF CRUELTY TO ANIMALS (ASPCA). Position Statement on Dog Chews/Treats. Disponível em: ASPCA — Position Statement on Dog Chews/Treats. Acesso em: 10 set. 2026.

HEATH, S.; WILSON, C. Canine and feline enrichment in the home and kennel: a guide for practitioners. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 44, n. 3, p. 427–449, 2014. DOI: 10.1016/j.cvsm.2014.01.003.

INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA (INMETRO). Brinquedo para animais (PET) deve ser certificado? Atualizado em 27 maio 2024. Disponível em: INMETRO — Brinquedo para animais (PET) deve ser certificado?. Acesso em: 10 set. 2026.

MATOS, T. Tracking key trends in the pet accessories market. GlobalPETS, 22 abr. 2026. Pesquisa Yummypets, powered by Loop, e PETS International. Disponível em: GlobalPETS — Tracking key trends in the pet accessories market. Acesso em: 10 set. 2026.

MATOS, T. What are pet owners’ concerns when buying toys? GlobalPETS, 28 nov. 2025. Pesquisa PETS International e Yummypets. Disponível em: GlobalPETS — What are pet owners’ concerns when buying toys?. Acesso em: 10 set. 2026.

MSD VETERINARY MANUAL. Esophageal Foreign Bodies in Small Animals. Revisado em outubro de 2022; atualizado em setembro de 2024. Disponível em: MSD Veterinary Manual — Esophageal Foreign Bodies in Small Animals. Acesso em: 10 set. 2026.

MSD VETERINARY MANUAL. Gastrointestinal Obstruction in Small Animals. 2025. Disponível em: MSD Veterinary Manual — Gastrointestinal Obstruction in Small Animals. Acesso em: 10 set. 2026.

VCA ANIMAL HOSPITALS. Ingestion of Foreign Bodies in Dogs. Disponível em: VCA Animal Hospitals — Ingestion of Foreign Bodies in Dogs. Acesso em: 10 set. 2026.

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