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O mês de abril é marcado por uma importante campanha de conscientização: o Abril Laranja, voltada à prevenção dos maus-tratos contra animais.

Mais do que uma pauta social, o tema está diretamente relacionado à saúde, ao bem-estar e à responsabilidade no cuidado com os cães. Reconhecer sinais de maus-tratos e agir de forma adequada pode evitar sofrimento e, em muitos casos, salvar vidas (WSAVA, 2020).

Neste artigo, você vai entender o que caracteriza maus-tratos, como identificar sinais em cães e quais atitudes tomar diante de suspeitas.

 

Cão observando pela grade enquanto, ao fundo, um responsável caminha com outro cão e mãos seguram um laço laranja, representando cuidado e prevenção do bem-estar animal

 

O que são maus-tratos contra animais

Maus-tratos não se limitam à agressão física. Eles incluem qualquer ação ou omissão que cause dor, sofrimento, estresse ou comprometa a saúde e o bem-estar do animal (AVMA, 2020; WSAVA, 2020).

Entre os principais exemplos, estão:

  • Agressões físicas
  • Negligência (falta de alimentação, água ou cuidados básicos)
  • Abandono
  • Manter o animal em ambiente inadequado (sem higiene, espaço ou abrigo)
  • Privação de atendimento veterinário
  • Exposição constante a medo ou estresse

De acordo com a legislação brasileira, essas práticas configuram crime, com penalidades previstas na Lei nº 9.605/1998, com agravantes para cães e gatos (Brasil, 1998; Brasil, 2020).

 

Principais sinais de maus-tratos em cães

Nem sempre os maus-tratos são evidentes. Em muitos casos, os sinais são sutis e exigem atenção por parte do responsável.

Os principais sinais incluem:

  • Magreza extrema ou desnutrição
  • Feridas, lesões ou cicatrizes sem tratamento
  • Pelagem suja, embaraçada ou com falhas
  • Presença de parasitas (pulgas, carrapatos)
  • Letargia, apatia ou comportamento depressivo
  • Medo excessivo de pessoas ou movimentos bruscos
  • Agressividade defensiva
  • Permanência constante em ambientes insalubres

Alterações comportamentais são especialmente importantes, pois refletem o impacto emocional do ambiente em que o animal está inserido (Overall, 2013; Horwitz & Mills, 2009).

 

O que fazer ao suspeitar de maus-tratos

Ao identificar sinais de possível maus-tratos, é importante agir com responsabilidade.

As principais orientações são:

  • Evitar confronto direto com o possível agressor
  • Registrar evidências, como fotos ou vídeos (quando possível e seguro)
  • Buscar orientação profissional, especialmente de um médico-veterinário
  • Formalizar a denúncia junto aos órgãos competentes

A atuação responsável é fundamental para garantir a segurança de todos os envolvidos e aumentar a efetividade da denúncia (AVMA, 2020).

 

Como denunciar maus-tratos no Brasil

No Brasil, maus-tratos contra animais são crime. A denúncia pode ser feita de forma anônima e deve ser direcionada aos órgãos responsáveis.

As principais opções incluem:

  • Polícia Civil ou Delegacia Eletrônica
  • IBAMA
  • Secretarias municipais de meio ambiente
  • Disque denúncia (quando disponível na região)

Em casos mais graves ou urgentes, o acionamento imediato das autoridades é importante (Brasil, 1998; Brasil, 2020).

 

O papel do responsável na prevenção

A prevenção dos maus-tratos começa dentro de casa, com práticas responsáveis e baseadas no bem-estar animal.

Isso inclui:

  • Garantir alimentação adequada e água fresca
  • Proporcionar ambiente seguro, limpo e confortável
  • Oferecer estímulos físicos e mentais
  • Realizar acompanhamento veterinário regular
  • Utilizar métodos de educação baseados em reforço positivo

A relação entre responsável e cão deve ser construída com base em cuidado, previsibilidade e segurança, fatores fundamentais para a saúde física e emocional do animal (AVMA, 2020; WSAVA, 2020; Overall, 2013).

 

Quando buscar orientação veterinária

Sempre que houver suspeita de maus-tratos — seja em relação ao próprio animal ou a terceiros — é importante buscar orientação profissional.

O médico-veterinário pode:

  • Avaliar sinais clínicos compatíveis com negligência ou abuso
  • Orientar sobre condutas adequadas
  • Auxiliar na documentação técnica do caso, quando necessário

Além disso, alterações comportamentais também podem indicar sofrimento emocional, exigindo abordagem técnica e, em alguns casos, suporte de profissionais especializados em comportamento animal (Overall, 2013; Horwitz & Mills, 2009).

 

Considerações finais

O Abril Laranja é um convite à reflexão e à ação. A proteção dos animais depende diretamente da informação, da responsabilidade e da capacidade de reconhecer sinais de sofrimento.

Promover o bem-estar animal é uma responsabilidade coletiva, e pequenas atitudes podem fazer uma grande diferença na vida de um cão (WSAVA, 2020).

 

Referências

AVMA. Animal Welfare: What Is It? American Veterinary Medical Association, 2020.
Brasil. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998.
Brasil. Lei nº 14.064, de 29 de setembro de 2020.
Horwitz, D.; Mills, D. BSAVA Manual of Canine and Feline Behavioural Medicine. 2009.
Overall, K. Manual of Clinical Behavioral Medicine for Dogs and Cats. 2013.
WSAVA. Animal Welfare Guidelines. World Small Animal Veterinary Association, 2020.

 

Renan Sparremberger
Fundador da Heroz – Especialista em comportamento e bem-estar canino

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